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Quarta-Feira, 11/02/2009     
Ano V - Edição Nº41     


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  PAPO DIRETO  
 
 
 

O PURGATÓRIO DE STEVE JOBS ?

A empresa conta com um histórico ímpar de criação de produtos capazes de dar água na boca, e o enorme impulso que ela atravessa não tende a desaparecer de uma hora pra outra.

Além disso, com certeza Jobs não pretende “largar o osso” sem lutar. Só que nada disso pode impedir um número cada vez maior de concorrentes de fazer o máximo para chegar perto da Apple, nem muda o fato de que, com ações cotadas a US$ 185, a tendência à estagnação (ou queda) na valorização é maior do que quando cada papel custava US$ 50 menos.

A pergunta não é “Será que a Apple vai sobreviver?”, mas “Como será a evolução da empresa?”.

Às vésperas da estréia do iPhone, o líder da Apple recorreu a uma metáfora simples para traçar o futuro de sua organização: “Nossa ‘cadeira’ hoje se apóia em duas ‘pernas’ bastante firmes”, declarou ele ao jornal USA Today. “Temos o segmento Macintosh, negócio estimado em US$ 10 bilhões, e a atividade musical, com o iPod e o iTunes, que também representa cerca de US$ 10 bilhões. Esperamos que o iPhone se transforme na terceira ‘perna’ e quem sabe um dia a Apple TV se torne o quarto ponto de apoio.” Em resumo, Jobs descrever um sistema rigidamente conectado, essência do modelo de negócio da Apple: se um consumidor comprar um produto da Apple, adquirirá mais dois, três ou talvez quatro (até pagando caro), em vez de apostar na experiência com outras marcas.

Hoje a pergunta é: será que Jobs apostou em uma fórmula que protege a Apple? Ou será que o futuro revelará a vulnerabilidade do modelo de negócio da empresa?

Por mais que os produtos da empresa sejam impressionantes, o que leva as pessoas a comprá-los não é a superioridade tecnológica. Por metade do preço de um Mac, dá para arrumar um microcomputador capaz de fazer praticamente as mesmas coisas. Existem leitores de MP3 com qualidade de áudio superior à do iPod.

O iPhone conta com tecnologia wi-fi e um lindo sistema de tela sensível ao toque, mas o aparelho em si é mediano, assim como sua rede celular. Até mesmo a segurança do sistema operacional da Apple, assunto tão zelado pela empresa, é objeto de exageros. O que diferencia os produtos da Apple da vala comum é a interface (interação do usuário com os aparelhos) e as belas “embalagens”. E aqui o mérito é de Jobs: afinal de contas, foi ele que colocou o microcomputador no mercado. Seu instinto para aspectos relacionados a funcionalidade e design é apuradíssimo.

Porém o fenômeno Apple tem mais a ver com estar na moda do que com tecnologia. Mas estar na moda, por definição, é algo transitório: passada a febre, surgem os problemas. E pela primeira vez em vários anos, existem sinais de que a Apple não é infalível e de que a boa vontade dos adminiradores de Jobs pode ter data para acabar.

Em janeiro de 2007, quando apresentou o iPhone, Jobs estimou que sua empresa venderia 10 milhões de aparelhos até o final de 2008. De acordo com o site Silicon Alley Insider, só nos primeiros dois dias foram vendidas 270 mil unidades, mas a Apple precisou de mais 72 dias para desovar mais 700 mil – ritmo que representa 40% da previsão de Jobs em um ano. Para dar uma força, Jobs baixou o preço do aparelho em US$ 200 apenas dois meses após o lançamento. Porém logo outra falha atingiu a poderosa empresa: o hoje vergonhoso patch que desbloqueia o iPhone e funciona com aplicativos não autorizados produzidos por terceiros. Fato que gerou “mais queixas e comentários de consumidores insatisfeitos com a empresa do que nunca”.

De repente a empresa que não podia errar parecia não acertar mais. Quanto menor a mística da Apple entre os consumidores, maiores as possibilidades de os concorrentes a alcançarem. São diversas as empresas que se aproximam do “ideal”.

O maior perigo para a Apple pode vir de fora das EUA. A Nokia, que não se sai mal quando o assunto é inovação e sabe defender seu território. A Nokia conta com pelo menos mais duas grandes vantagens. Em primeiro lugar, os celulares da empresa finlandesa funcionam com as principais operadoras. Em segundo lugar, os aparelhos Nokia funcionam com as velozes redes 3G, padrão na Europa.

Em pouco tempo o mercado estará invadido por minicelulares com tela sensível ao toque, TV em tempo real, leitores de vídeo e de MP3, câmeras fotográficas, GPS e gravadores digitais. Se a Apple optar por ficar à margem, sua capacidade de inovar terá de ser poderosa o bastante a ponto de conter os ímpetos dos concorrentes e a intenção declarada de unir forças.

Tempestade iPod-iTunes

O iPod e o iTunes surgiram juntos e basicamente, ocuparam um vácuo. Jobs conseguiu explorar os dois fatores, assumir o controle e depois cimentar essa posição ao disponibilizar o iTunes para usuários do Windows.

Hoje a Apple responde por cerca de 70% dos downloads de músicas. A dupla iPod-iTunes foi o resultado de um momento histórico que talvez não volte a se repetir. A perfeita tempestade que a dobradinha provocou no mundo dos negócios permitiu que a Apple chegasse perto de montar um monopólio. O conteúdo que propulsionou o iPod não é dele – e o setor musical começa a revidar. Quem comanda o ataque é a Vivendi Universal. A maior detentora de direitos musicais do planeta já decidiu que não vai renovar o acordo de licenciamento com o iTunes, embora ainda não tenha retirado suas músicas. O desentendimento teve origem na disputa pelo controle e pelo preço.

A guerra dos vídeos

As disputas no setor musical apenas antecedem a inevitável batalha sobre os vídeos, pois o mercado de downloads digitais de filmes e programas de televisão ainda está gatinhando. Hollywood observou o que Jobs fez no mundo da música e não está disposta a permitir um controle tão grande.

A Apple TV, quarta perna da cadeira vislumbrada por Jobs, depende naturalmente do que acontecer no mercado de vídeos. Antes de dar início à novidade, que conectará o computador à televisão do usuário, o líder da Apple definiu a Apple TV como a “peça que falta” em sua linha de produtos.

Modelo aberto ou fechado?

Em uma época de convergência e de simplificação, o mais provável é que os consumidores cada vez mais esperem computadores, telefones, aparelhos de TV e sistemas de som funcionando de forma integrada. Para isso, a Apple precisa apresentar um sistema autocontido tão funcional que uma massa crítica de consumidores deseje entrar nesse mundo para nunca mais sair.

Talvez Jobs já tenha aceitado que a próxima onda de crescimento da Apple depende da sincronização de seus produtos e plataformas com os dos concorrentes. É esse o nó que Steve Jobs precisa desatar – um nó difícil, apenas menos apertado do que o dos demais.

 

Fonte: HSM MANAGEMENT


 
 
 

 
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